Bebedor de cervejas como nove em cada dez brasileiros, o administrador Alberto Cavendish voltou com uma idéia fixa depois de uma imersão para afiar o inglês no Canadá. Impressionado com a ampla paleta de fermentados das licquor stores de Toronto, estabelecimentos com exclusividade no comércio de bebidas alcoólicas, não sossegou até abrir uma similar aqui em Recife.

Há cerca de cinco meses, público razoável fidelizado, funciona no Rosarinho a Emporium Beer (Rua Dr. José Maria, 763). Não é um estabelecimento qualquer. Sobretudo pelo cuidado com que os produtos são garimpados para o comércio. Enquanto não estabelece algumas importações diretas, a loja trabalha com rótulos preciosos trazidos pelas principais importadoras do país. São, em alguns casos, negociados carregamento a carregamento. Até agora, cerca de 200 rótulos já ocuparam as prateleiras da loja.

Naturalmente, existem alguns mais elementares, como Heinekein, Devassa e outras industriais de maior prestígio (nunca as pilsen brasileiras mais comuns). Mas a prata da casa são as cervejas premium - de diversas nacionalidades.

Cavendish disponibiliza, por exemplo, os dez diferentes tipos da italiana artesanal Birra Baladin. A de trigo é refrescante, cítrica, com semente de coentro e casca de laranja na composição. Custa R$ 69.

Entre as preciosidades, a cerveja belga Geuze Mariage Perfect, uma cerveja sem catalizadores, totalmente de fermentação espontânea. “É uma cerveja que depende totalmente do meio ambiente”, comenta. A garrafa custa R$ 44,50.

A resposta do público recifense ao mercado de cervejas especiais pode ser balizado por alguns comportamentos. Em pouco menos de dois meses, foi vendido um lote de oito belgas Deus, cerveja de baixa fermentação que leva até um ano para ficar pronta. Ícone das fermentadas de luxo, é comercializada por R$ 220, o mesmo que uma boa garrafa francesa de champanhe, e tem expectativa de venda de uma garrafa por mês.

Há ainda cervejas elementares de alguns países, raramente encontradas por aqui, como as pilsen belgas Pilsber Urquel (R$ 24,90) e a 1795 (R$ 17,95). Ou ainda boas mineiras artesanais - das mais leves às stouts, com harmonizações que vão de carne assada e feijoada a chocolate amargo.

A loja, aliás, funciona também como uma pequena delicatessen, com oferta de iguarias para levar (incluindo massas artesanais congeladas para protagonizar uma refeição). No que tange ao consumo no local, existem mesinhas, literatura especializada sobre cerveja, queijos, frios e embutidos (pesados na hora) e todo o portfólio de bebidas. As cervejas são resfriadas ou geladas, conforme a indicação de consumo, numa máquina que leva apenas oito minutos para a conversão de temperatura.

* adaptado do JC de 16/03/2012